O inverno também trás flores



Em um inverno definitivamente frio, de um dia feliz de um ano incrível.

Faz tempo que eu não escrevo, mas tiveram umas últimas cartas que eu sabia que seriam difíceis de serem superadas. Eu escrevo não tentando supera-las, mas sim para adicionar mais uma a coleção porque o momento pede. Acho que a melhor forma de narrar os acontecimentos é começar uma retrospectiva. Depois que terminei de ler aquela carta, depois que a ficha caiu, sai correndo e as cegas do meu quarto, tropeçando em tudo aquilo que minhas lágrimas não me permitiam enxergar. Eu abri a porta da frente, pra encontrar uma cena que ficou pra sempre marcada em mim e em minha memória, meu namorado que eu não via há meses estava na minha frente, abaixo de mim na verdade já que estava ajoelhado e com mais flores, flores por todo lugar. Em sua mão ele tinha uma pequena caixinha de veludo vermelho. Ele sorriu quando me viu e disse as exatas seguintes palavras: “Eu disse que tinha uma pergunta a fazer e ainda tenho, ela é necessária pra passarmos para uma fase que estamos mais do que prontos. Você, menina linda aos prantos, quer ser minha mulher? Você me daria a honra de se casar comigo?”.
Por dentro eu estava gritando que sim antes mesmo dele terminar de falar, mas da minha boca só saiu um sussurro abafado antes de eu correr e chegar em casa. Ele foi minha casa muito tempo antes desse dia, e continuou sendo muito tempo depois daquilo, e só posso pedir que seja por toda a minha vida. Casamos-nos no próximo outono, ao ar livre, debaixo de uma árvore gigantesca que derrubava mais folhas laranja do que eu podia contar e foi mais um dia para ser arquivado no inesquecível. Passou-se o inverno, chegou à primavera e foi embora o verão. O outono chegou novamente, marcando nosso primeiro ano de casados, e ele novamente se foi, mas não antes do destino nos deixar um presente de casamento. No final do outono, descobri que estava grávida. Não foi exatamente planejado, porém não poderíamos estar mais felizes.
Agora escrevo durante o inverno, em um dia em que estamos aconchegados em nossa casa, na frente da lareira, assistindo não a televisão, mas sim um ao outro. Meu marido está conversando há horas com a minha barriga, eu não tenho dúvidas que ele será um pai maravilhoso e eu vou ser a melhor mãe que eu conseguir. Você vai vir ao mundo no meio da primavera e podemos dizer tudo, menos que o destino não é nostálgico e sentimental.  Fui a uma ultrassonografia ontem, escondida dele. Sei que ele vai ficar chateado, pois tem acompanhado tudo mais de perto do que eu, se é que é possível, mas eu queria fazer uma surpresa e tratei de gravar tudinho pra que ele não perdesse nada da consulta. Hoje à noite vamos assisti-la, logo depois de eu contar o que descobri lá, o sexo do bebê.
Comecei falando de duas cartas que marcaram a nossa história. Uma eu escrevi para ele e a outra ele escreveu para mim. Hoje eu escrevo para a continuação da nossa história, eu queria que você soubesse cada pormenor desse momento e não achei melhor maneira de te contar. A cara do seu pai quando ele abrir o presente que vou dar a ele assim que terminar de escrever vai ser algo para te contar olho no olho, esperando que eles te digam tudo o que as palavras não vão ser capazes. Ele vai abrir e vai encontrar um par de sapatinhos e nosso amor, um pelo outro e por você, vai mais uma vez se fazer quase palpável.
                                                


                                                 Beijos de sua mãe, seu pai e da nossa história. Nós te amamos filha.




















3 Comentários

  1. CARAMBOLA Valentina, a cada crônica eu peço bis. BIS, BIS E BIS.

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  2. Parabéns pelo seu blog! Beijos ;)

    http://blogdakakalima.blogspot.com.br/

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  3. Parabéns, Valentina. É difícil algo romântico me emocionar... Parabéns.

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